Thursday, November 29, 2012

Diario de uma futura ex-macaca - season finale

To escrevendo do celular, entao nao da pra achar assim tao facil os posts anteriores sobre o assunto. Mas resumo da opera: inicio de novembro foi minha ultima sessao do IPL - um dos tipos de depilacao a laser.

Esse foi meu 2o pacote - o 1o, de 6 sessoes, nunca chegou ao fim porque a empresa fechou as portas na calada da noite. Devo ter feito 3 ou 4 sessoes. Esse ultimo foram soh 3. Ou seja, fiz pelo menos as 6 sessoes recomendadas (apesar de todo mundo falar que tem que fazer algumas extras pra acabar de vez com os pelos).

Olha, pelo ainda cresce. Bem menos, eh verdade, mais fraco tambem. Se eu pudesse, acho que continuaria sim, apesar de achar caro e uma chatice ir na sessao.

E doi. Na axila nem tanto, totalmente suportavel. Agora a virilha doi tanto quanto depilacao. E olha que eu so fiz biquini; nada de virilha cavada.

Daih que 4a feira fiz depilacao via um voucher desses de compra coletiva. Nao eh a 1a vez que acontece, mas como nao me depilo mais com tanta frequencia, faz tempo que nao passava por isso: a cera me arrancou um bife da virilha. E como doi, como esta doendo ainda. E por essas e outras que penso que a dor da IPL compensa.

Quando a vida voltar ao normal (hahahhaahahahahahahahahaha), vou procurar mais vouchers do Groupon para mais sessoes - com esse esquema, ate que nao quebra a firma. Axila e perna nao me incomodam nao e eu me depilo na boa, mas virilha eh um peh no saco - como eu nao gosto de ter pelos.

P.S.: minha ultima sessao foi quando ja estava gravida. Nao eh recomendado, mas pesquisei antes e varios medicos diziam que eh porque durante a gravidez a pele esta mais propensa a queimaduras e o laser nada mais eh do que queimar a raiz do pelo. Todos falaram que na ha casos de aborto espontaneo e/ou problemas com o bebe. Tive medo sim, e jamais faria outras sessoes.

Thursday, November 22, 2012

O ultimo da noite

Estava toda esperancosa de que o mau humor, os enjoos e o cansaco iriam embora assim que o 1o trimestre passasse. Foi assim na 1a gravidez: a energia voltou do dia pra noite, como se fosse uma bateria velha de carro substituida por uma novinha. Mau humor nao tinha, mas vai, pode ser que a medida que fico mais velha, o humor vai estragando.

Semana 15 (de acordo com uma calculadora online qualquer) e ate agora, nada. Minha teoria? A vida estah mais dificil. E eu estou fora de forma. Gente, como essa mulherada aqui consegue? Algumas tem 3, 4, 5 filhos!!! Eh uma camelacao louca nesta terra. Meu dia eh mais ou menos assim:

6.15-6.30 - acorda, veste qualquer roupa nao muito tosca, escova dentes, desodorante, perfume.
Nao tem banho de manha, me desculpem.
Arruma filha, que na maioria das vezes nao eh muito dificil, mas tambem nao facilita horrores. Ela soh toma leite de manha.

7.00 - com muita sorte e correria, a gente sai a essa hora e eu pego meu trem das 7.16. Normalmente nao rola muita sorte, apesar da correria e acabamos no trem das 7.36 (o que me faz chegar atrasada no trabalho).

De manha, marido leva a pequena (depois de eu ter pedido arrego, achando que ia ter um treco) pra creche, mas quer que eu va com ele no trem.

8.00 as 16.00 - trabalho

16.20 - depois de passar no estacionamento de carrinhos, vou buscar a pequena na creche. Na maioria das vezes ela NAO vem na boa. As vezes a pirraca eh controlavel, as vezes parece que a crianca tah possuida.

16.42 - Na maioria das vezes, algumas com muita correria, consigo pegar o trem. Nos dias de muita pirraca, acabo perdendo o trem e tenho que pegar o das 17.02. Laura SEMPRE quer bala e sempre quer chocolate. Se eu tenho que esperar o proximo trem, eh pior porque ela tem mais tempo de fazer escandalo. Varias vezes ela se contenta com as uvas que sempre tenho na bolsa.

17.30 - 35 minutos no trem, vamos pro carro. Depois de brigar com a pequena pra entrar no carrinho (tenho pavor dela sair correndo - como ja fez algumas vezes - pro meio da rua, ou pior, cair no trilho do trem), andar ate o carro, coloca-la na cadeira (parto, parto, parto), dobrar o carrinho e coloca-lo no carro; finalmente chegamos em casa. Respira.

18.30-19.00 - Hora de comecar a rotina de dormir. Banho, brincadeiras e conversinhas mais calmas, historinhas, pijama, beijinhos, colinho, leite, cafune... e isso vai durar pra sempre. Nos ultimos 3 meses, gracas ao meu cansaco-mor, acabo deitando com ela e tiro um cochilo de duas horas. Geralmente eu pego no sono antes dela.

20.00 - Crianca dorme, silencio na casa. Marido adora. Quando estou acordada, aproveito pra guardar os brinquedos, dar uma geral (micra) na cozinha - desde que Lili chegou, quase nao preciso lavar a louca a noite, checar blogs, e hora o banho quentinho e demorado. Eh a noite que eu deixo a agua lavar todos os problemas do dia e me relaxar.

22.00-23.00 - Oficialmente dormindo.

Nao sei voces, mas reparei que as horas a noite passam num piscar de olhos. Nao dah tempo de fazer nada, nada. Na boa, eu nem sou tao ocupada assim - conheco gente que faz muito mais coisa do que eu, com varias criancas nas costas... Dou conta de dois???

Pensando alto

Sabe aqueles momentos na nossa vida que a gente passa a questionar tudo? Todas as nossas escolhas de vida, tudo que a gente deixou de fazer, o que a gente teria feito diferente, o que nao esta bom hoje, o que queremos melhor amanha, etc e talz?

Acho que eu passo por um momento desses ha uns 5 anos. Aquela coisa, ne? A gente faz 30, acha que estamos no auge da maturidade, que sabemos muito, que esta na hora de rever tudo e mudar as coisas. Hoje em dia, aos 35, a sensacao eh de eu nao sei nada, nao vivi quase nada e que ainda tem muito chao pra andar e muita grama pra comer.

Daih uma das coisas que martelam constantemente na minha cabeca eh o que fazer profissionalmente?

Parar de trabalhar nao eh uma opcao assim tao facil de escolher. Com uma filha soh, de repente ate nao seria tao complicado, mas com dois filhos, eles teriam que ficar em casa, porque pagar creche eh muito puxado. E daih que eu morro de medo de ser uma dessas mulheres frustradas que culpam o marido, os filhos, os vizinhos, o mundo por nao estar trabalhando e sim cuidando "dos outros".

Por outro lado, nao quero ser dessas mulheres frustradas que trabalham tanto que nao tem tempo para curtir a familia, ver os pequenos crescendo, aprendendo, se desenvolvendo. Vejo minha pequena, que completou 2 anos e meio hoje, falando tantas coisas novas e engracadas todo santo dia (hoje foram umas 5 tiradas novas) e me pergunto se as tias da creche babam tanto quanto eu. Sera que elas entendem a importancia desses pequenos momentos? Pequenos para nos, marmanjos, mas gigantes para esses pequenos seres.

Daih vem a historia de trabalhar de casa ou montar meu proprio negocio. Mas olha, essas coisas soh dao certo para algumas poucas pessoas. Ou se trabalha por prazer - num horario limitado, sem grandes ambicoes - ou realmente se dedica ao negocio pra ganhar grana suficiente para cobrir o salario de um emprego fixo. Os dois (horario flexivel e um salario decente), pelos exemplos que vejo, sao para poucos.

Agora, com a gravidez, tudo mundo no trabalho me pergunta se eu vou voltar. Nem sai e ja me deparo com perguntas do tipo (seguidas de "voce nao precisa responder!"). E aih, volto ou nao volto? Ainda eh cedo pra saber. As coisas mudam com o tempo e eu vou mudar muito tambem. Ate lah, sigo pensando nas alternativas.

Contagem regressiva

A pessoa esta tao no desespero que ja esta em contagem regressiva para a licença maternidade. Em Maio! Isso mesmo.

To de chefe nova desde inicio de setembro e o que parecia ser algo super legal (estava sem chefe desde abril, apesar de tranquilo, faltava um escudo para me "proteger" das politicagens e reuniões inúteis que soh chefe precisa se envolver.

Então, como ia dizendo, a chefe nova... eh uma bosta. Eu tenho esse dom de atrair chefes ruins. Acho que posso contar nos dedos de uma mão quantos chefes legais eu tive em 15 anos de carreira. E quando digo legal, não estou falando de chefe que paga seu almoco, eh gente fina, vira seu amigo, sai com a galera na 6a a noite pra tomar umas. Estou me referindo a chefe que sabe explicar o que ele quer que você faca, que sabe o que espera de você, que não te envolve em tudo quanto eh reuniãozinha desnecessária soh porque ele não quer participar da reunião sozinho, que sabe priorizar o trabalho (arrumar o armário não eh prioridade quando você tem uma reunião mega importante no dia seguinte e tem milhares de coisas para preparar para esta reunião, certo?), chefe que não trata funcionários em posição "inferior" como empregados dele.

Minha chefe nova eh tudo isso e muito mais! Retrograda, lenta, confusa, hierárquica(*), joselita total. Entao esta sendo um pesadelo trabalhar com ela, ainda mais no meu estado facilmente irritável. E antes que o leitor pense que eh justamente pelo meu estado que eu acho a mulher muito ruim profissionalmente, ja aviso que eh senso comum aqui na empresa, ok? Talvez soh o chefe dela nao veja porque ele nao quer ver. Ele nao quer ter que lidar com nova contratação (ou talvez ache que 3 meses nao eh tempo suficiente para a pessoa mostrar a que veio).

Enfim... se eu pudesse, sairia ja. Se eu nao estivesse gravida, estaria procurando outro trabalho.

No meio dessa confusao toda, ainda tem o fato de eu gostar cada vez menos do inverno e do frio. Ja falei que detesto usar casaco? Detesto o tira-bota de casacos no trem, no restaurante, etc. Destesto sentir calor no escritorio porque o aquecedor esta no maximo. E sair de manha com o dia congelante, no final do dia ta quente (e faz o que com aquele monte de roupa que voce vestiu?) ou vice-versa. Muito confuso.

Dah pra perceber que o 1o trimestre passou mas o mau-humor, nao? Que venha logo maio!

(*) A coisa eh tao bizarra que ela abaixa a cabeca para todo mundo com um cargo mais alto que o dela - se uma mulher aqui - que nao eh chefe dela - mandar ela limpar a bunda de todo o time, minha chefe vai fazer. Nao, fazer nao, ela vai mandar o time dela fazer, porque ela se acha muito "senior" para fazer certos tipos de trabalho. Pode parecer uma coisa "natural" para os amigos brasileiros, mas aqui nao eh assim que a banda toca. Se voce esta numa reuniao com clientes, etc, tem cafe, cha e biscoitos na mesa, cada um se serve, prepara o cafe como quiser. Minha chefe manda a estagiaria servir cafe. Como eu disse, isso nao existe aqui, entao voce pode imaginar que seja um pouco humilhante para quem tem que fazer isso. Nao eh humilhante servir cafe, eh humilhante ter uma chefe que acha que eh ok te tirar de trabalhos serios para te fazer servir cafe, sendo que nem o chefe da chefe faz uma coisa dessas com a secretaria dele. Entendeu a diferenca?

Thursday, November 08, 2012

Tem gente que nao aprende, ne?

Pois eh, baby numero 2 esta devidamente encomendado. A ultra da semana 12 (aqui sao duas, na semana 12 e na 20) foi na 4a, 7/11, e como esta tudo bem, a gente pode liberar a noticia pro mundo. Nao que eu ligasse muito, mas "quando na Inglaterra, faca como fazem os ingleses", ou qualquer coisa do genero.

Bebe tah bem, ficou meio zangado de ter sido sacudido e acordado, chutou e deu socos, e a moca que estava operando a maquina ficou satisfeita com o que viu.

Posso falar que essa segunda gravidez esta sendo bem mais dificil que a primeira? A comecar pelo fato de ter minha filha que me toma todo o tempo livre e nao rola de deixa-la de lado para curtir meu estado interessante. Ate tento traze-la para a brincadeira: ela sabe que tem um bebe aqui dentro, aponta pra barriga quando eh perguntada onde esta o bebe, da beijinho, mas eh bem de vez em quando.

Depois tem o fato de eu nao poder descansar como descansei na 1a gravidez. E os enjoos... os enjoos, meu pai do ceu, o que sao esses enjoos? Nao rola de comer nada sem botar os bofes pra fora. E nao eh "morning sickness" nao, eh "everyday, everywhere sickness". Ja vomitei na estacao de trem, no trabalho, na creche, no trem, no aviao, na cozinha (alem de mil vezes no banheiro)... E nada de gengibre, cha de hortela, etc, pra dar jeito. Balinha de menta ajuda a tirar o foco. Ate agua me faz vomitar. E eu odeio ficar enjoada e vomitar.

E antes que perguntem: nao, nao perdi nada de peso com isso. Posso nao ter ganhado, mas perder, nao perdi, mesmo cortando o jantar.

Menino ou menina? Nao faco ideia, a gente soh descobre na 20a semana (se o bebe assim permitir). Preferencia? Olha, normalmente eu diria que nao. Amo ser mae de menina, mas fico feliz com o que vier. Marido quer porque quer um menino, ou seja, se nao for desta vez, ele quer tentar mais uma. Sinceramente, HOJE EM DIA, eu nao quero um terceiro filho nao. Se fosse garantido que eu ganharia na loteria e tivesse grana de sobra para trazer minha mae e meus sogros para Londres (morando em casas separadas, ok?) para ajudarem com as criancas, acho que eu ate encararia. Provavelmente eu deixaria de ser escrava de terceiros e trabalharia por esporte ou faria trabalho voluntario. E dormiria depois do almoco. Todos os dias. T-O-D-O-S.

Ia escrever mais coisas, mas tenho que chamar o Raul. Inte a proxima.

Saturday, November 03, 2012

Papo de mulherzinha

Recebi um convite para escrever um post sobre qualquer coisa relacionada a maternidade pro Minha Mae que Disse e ele foi publicado essa semana. Clique aqui pra ler.

O blog onde conto sobre ser mae e falo coisinhas sobre minha filha eh o outro, em ingles, mas confesso que o texto flui melhor quando escrevo em portugues.

Pra quem nao sabe, esse blog ja foi em ingles (comecei quando me mudei para a Inglaterra, por isso o titulo), depois que me descobri gravida e tendo a necessidade de atualizar a familia (leia-se a sogra) nos assuntos relacionados a neta, resolvi ter um blog soh pra falar disso e esse meio que ficou esquecido. Ateh que senti falta de escrever em portugues e, principalmente, de falar mal das coisas.

Sou meio ranzinza, mas soh reclamar me cansa. Mas tambem me dah nervoso das pollyanas da vida, desse povo que SOH fala de coisas boas. Obvio que eu gosto de ler sobre coisas legais, mas a vida eh bela, mas nao eh perfeita. Nao sei voce, mas quando leio esses blogs onde tudo eh perfeito, tudo eh lindo, tudo funciona na mais santa paz, ja acho que estou fazendo tudo errado, que minha vida eh uma merda, bla bla bla. Nao eh negativismo, mas, gente, ter problema de celulite nao eh legal, mas tambem nao eh o fim do mundo, ne? Pra que vou falar que acho minha bunda linda e sou feliz com ela, se a bicha parece uma lua cheia de tao grande e esburacada que ela eh?

Por isso o tal post no MMqD pode nao soar muito "tchu-ru-ru", mas tambem nao tem a finalidade de dizer que ser mae eh padecer, soh padecer. Eh dificil como varias coisas na vida. Vai falar que perder a virgindade eh magico, lindo, um sonho, quando a parada doi, sangra e depois tem toda a "bagunca" pra limpar? Faz parte, eh lindo no sentido de que eh um acontecimento na nossa vida, mas o ato em si eh bem sem glamour. Pelo menos no meu caso nao foi nada como em Hollywood. E aquele tao sonhado beijo apaixonado com o gatinho da vez, que de tao apaixonado, chega a ser parcialmente violento e rola encontro de dentes? (nao vamos entrar no assunto do gatinho que voce sempre foi a fim e depois descobriu - na pratica - que ele beija mal pacas - mesmo sendo um fofo, inteligente, bonito, engracado, etc, eh dificil sobreviver ao beijo ruim. algumas almas caridosas tentam ensinar, o que eh uma atitude louvavel).

Depois de escrever o tal post rapidinho, me empolguei de registrar mais historias assim (nao falando mal de maternidade), mas dos desafios que encontro morando fora, e agora tendo familia pra cuidar. Ja tenho alguns temas no rascunho, resta saber se vou ter saco de escrever sobre tudo. As vezes me cansa escrever sempre sobre a mesma coisa, e apesar de ser mae ser uma funcao full time, nao gosto do rotulo unico. Nao sou apenas mae. Antes de mais nada, sou a Christina. Gosto de dormir muito. Adoro comer (camarao, hmmmm), detesto legumes e verduras, adoro doce (nao qualquer um). Gosto de viajar sem compromisso de ter que entrar em tudo quanto eh museu local. Adoro sol. Gosto de rir e gosto que me facam rir. Nao gostava de cozinhar mas aprendi a gostar. Acho super dificil a vida de gente grande, mas  acho que estou fazendo a coisa direitinho. Sou mega independente, sei e posso viver sem marido, filhos, familia - mas nao gosto de viver sem marido, filhos, familia. No geral, nada mudou desde que/porque tive filho. Sim, nao durmo mais tanto quanto antes, tenho que fingir que gosto de legumes e verduras pra dar exemplo, etc e talz, mas as mudancas ocorrem com qualquer grande mudanca na nossa vida. E sempre rejeito rotulos: sou brasileira, mas sou filha do mundo. Entao nao me cobre gostar de carnaval (porque eu nunca gostei e jamais vou gostar), de filme nacional (ok, deu uma melhorada de uns anos pra ca, mas eh pessoal, nao gosto e nao eh porque moro fora que vou passar a gostar), de MPB.

Nao, espera, estou saindo o meu ponto. O que quero dizer eh que as pessoas tem mania de achar que, porque voce tem filhos, voce nao faz mais nada da vida, logo nao tem mais nada pra falar. Sim, minha filha eh responsavel, hoje em dia, por muito dos meus assunto, mas posso falar de trabalho, conversar sobre receitas (que nada tem a ver com o fato de ter virado mae), falar de decoracao (idem), conversar sobre musica, cinema, viagens... (essas coisas ainda prefiro fazer sem crianca por perto - Sim, todas as minhas melhores viagens foram sem filha a tiracolo, desculpe a sinceridade).

E o post ficou gigante e eu nem sei porque comecei a escreve-lo. Ah sim, essa sou eu, totalmente sem foco e sem freio quando o assunto eh escrever.

Sunday, October 07, 2012

Gezuis

A falta de posts aqui e no outro blog é mais pela falta de wifi (sim, ainda existe casa sem isso) do que falta de tempo ou assunto. Até porque com esses smartphones não tem nem desculpa, certo?

O que se passa do lado de cá do oceano:

1) Tá quente, mas não insuportável, amém.
2) Tem feito sol e muito vento.
3) Muita comida, muita comida, MUITA comida. Tanta comida que tenho ido pra cama sem jantar, mas ainda com a pança cheia do almoço.
4) Teclado com acento.
5) Ida a Búzios, ao Sana, a fazenda de sei lá quem para pescar.
6) COMIDA. E todos os quase 6kg recuperados.
7) Mosquito pra cacete - odeio mosquito! Vamos precisar de uma transfusão de sangue depois destas férias.
8) Eleições, carros eleitorais, muita poluição sonora e visual.
9) Filha feliz como pinto no lixo, social como político em época de eleições. Filha falando tudo, repetindo tudo e fazendo o mundo rir, como o palhaço Carequinha.
10) Revendo pessoas... vendo que as pessoas crescem/envelhecem. Tendo a oportunidade de falar "troquei sua fralda" para um moleque de 27 anos, médico formado. E a mãe dele falando que trocou a minha.

Mixed feelings total - amando estar aqui, mas me sentindo meio peixe fora d'água também.

Algumas fotos "família" no outro blog.

Tuesday, September 25, 2012

Bloqueio

Ja escrevi does posts enooooooooooormes e "profundos" que estao devidamente arquivados. Simplesmente porque eles me cansaram antes mesmo de terminar. Acho que por isso nao consigo estudar filosofia - no meio do caminho meu lado rebelde enche o saco e manda um "talk to the hand".

Eu sempre quis escrever sobre o bando de argumentos moralistas que esbarro pelo caminho virtual, do povo que prega o "isso eh o certo", "isso eh errado" com tanta veemencia que as vezes me faz rir. As pessoas esquecem da pobre da etica, que eh um conceito muito mais justo na hora de julgar pessoas e atitudes - ate porque ser ético nao eh julgar, eh entender, respeitar e aceitar atitudes moralmente erradas mas que na verdade nao prejudicam a ninguém, muito pelo contrario), eh mostrar que o que pode ser considerado moralmente correto, muitas vezes eh eticamente incorreto, simplesmente pelos danos - físicos, emocionais - que causam ao indivíduo ou coletivo. E daih que assim, num parágrafo simples, me parece claro, simples, ok de ler. Mas num post de duzentos parágrafos me deixou irritada. Porque as vezes me irrito quando tento filosofar sobre algo e no fundo acabo soando como uma das pessoas chatas que quer porque quer provar um ponto de vista. Detesto ter a consciência de que estou tentando converter pessoas.

Um exemplo bobo eh uma discussao sobre alimentacao infantil que rendeu muitas opinioes fervorosas - e contrarias - a uma revista que defendia as papinhas prontas. Eu condeno as papinhas prontas, abaixo as papinhas prontas, papinhas prontas pros nossos filhos, nao! Mas eu dei muita papinha pronta pra minha filha. Hipocrita - pode apontar o dedo que eu nao ligo, sou a primeira! Ate tento me justificar - eu nao conseguia entender como as comidas que as midwives e health visitors me ensinavam a fazer (um alimento de cada vez, cozidos no vapor, sem sal sem alho sem tempero, congelados no cubinho de gelo) poderiam agradar minha filha e faze-la engordar, ser feliz e saudavel. Ate porque eu nao comia um pentelhezimo das comidas que tinha que preparar pra ela. E claro que no processo de introducao de alimentos, a menina meio que nao gostava de quase nada de que era oferecido. Nem cenoura, nem abobora, as coisas mais docinhas que todas as criancas curtem. Taca potinho nela. Ninguem me falou que tudo bem se a criança nao quer comer direito aos 6, 7 ou 8 meses. Eh natural, eh um processo de descoberta. Alias, minto: sabe quem me deu esta aula de "relaxa, dona mae, que ate os 12 meses seu filho esta bem nutrido com o leite, que ainda eh o principal alimento do pequeno. vai com feh e com calma que um dia voce chega lah"? O Clube da Pampers!!! Da fralda descartavel que faz mal pro mundo! Foram eles que me disseram tambem que tudo bem a crianca uma semana amar brocolis, na outra odiar. Que eh assim mesmo, as criancas estao se descobrindo. E sabe porque eu ouvi a Pampers? Porque eles me contaram isso num paragrafo. E nao num livro de trocentas paginas, chato pra cacete, cheio de "nos sabemos, nos fazemos, nos acontecemos, sigam essas regras que nao tem erro". Tem erro sim, muitos erros! Criar uma crianca eh um jogo de tentativa e erro. E ok se voce tentar dar uma papinha de potinho aqui e e outra ali, mas aqui vai uma coisa que eu aprendi nessa vida: a papinha da Nestle que vende no Brasil eh salgada pra cacete. Como assim tem sodio reduzido? Aquilo nao pode fazer bem. Nao estou defendendo as papinhas inglesas, nao, mas quem ja provou sabe que aquele troco - ruim toda vida - eh em sua maioria um bando de legume triturado sem absolutamente tempero nenhum. Sem graca e sem gosto como legume tem que ser.

Ok, nao eh soh no lado da maternidade que esse papo de filosofia-caga-regra me irrita nao. Num outro post eu questionava o porque de a vida ter ficado tao complicada de ser vivida quando podemos ser felizes com tao pouco. No meio do post eu cansei e pensei: dane-se, ne? Se nego soh sabe ser feliz se tiver carro do ano, o que eu posso fazer? Me incomoda? Sinto inveja? E sera que se eu tivesse carro do ano todo ano - e mais um monte de outras banalidades que todo mundo acha banal, mas nao seria nada mal ter de vez em quando - eu provavelmente nao teria tempo de filosofar tanto e esqueceria desse assunto de vez? Nao sei se voce jah comprou carro, mas putz, como eh um troco que toma tempo. Porque nao eh soh a marca que vai te transformar na pessoa mais bonita, mais poderosa, mais feliz do mundo, tem varios outros detalhes a se considerar tambem - alem dos cosmeticos: cor, acessórios, tem tipo de combustivel (se voce nao eh podre rico, talvez queira um carro um pouco mais economico, talvez um a diesel que eh mais barato), potencia, tamanho (pra familia grande, importantissimo), preco do seguro, etc. Sei que marido gastou varios meses pra comprar um carro usado, 2007! Meses! Cara, eu compro um sapato em minutos, sem nem experimentar. Acho que por isso nunca tive carro no Brasil, nunca me fez falta. E acho que nao teria carro se nao fosse a pressao da "familia". Mas duvido que nos meses que marido estava se dedicando a comprar o "melhor" carro, ele tenha pensado se estava feliz ou nao, se aquele bem material estava acrescentando algo a vida espiritual dele ou nao. E sei que o post aposentando falava de tudo um pouco, incluindo consumo consciente, outro tema que da assunto pra manga. E outro assunto que me cansa quando comeco a elaborar muito.

O que eu sei eh que eu bem queria que o mundo fosse perfeitinho e que nao precisasse gastar meus neuronios com esses debates que me cansam mais do que me iluminam (se o post nao chega nem a ser publicado, se a autora nem termina, eh meio inutil, ne?). Nao nasci para filosofa, nao nasci para transformar o mundo. Mas tambem nao curto escrever post sobre diferentes penteados para cabelos compridos - PORQUE NEM ESPELHO EM CASA EU TENHO!

Wednesday, September 12, 2012

Morde a lingua, mulher!

Esse ano foi punk. Nada grave, nao, ok? Mas desde que tiramos nossa filha da creche, no inicio de abril, tivemos familia hospedada em casa.

Primeiro minha sogra veio, ficou um mes. Depois minha mae veio com o namorado, mais 35 dias. Depois meus sogros, que ficaram 3 meses. Eh coisa pacas, nao? Nao sei voce, mas nao moro com minha mae faz muitos anos... olha, mais de... 1, 2, 3... 15 anos. E morei muito tempo sozinha (o erro - ninguem deveria experimentar a liberdade de ter o proprio canto). E sou meio "claustrofobica". E um pouco anti-social (que nem sei mais como se escreve depois das novas regras da Lingua Portuguesa).

Mas uma coisa legal - no meu caso - de ser mae eh que fiquei muito mais flexivel e relevo muito mais coisas. Tipo 4 meses com os sogros. Porque um mes com a mae eh moleza. Com a nossa mae temos mais liberdade e intimidade. Podemos brigar sem culpa. Agora vai magoar a sogra? Alem de lidar com ela, ainda tem que lidar com o marido.

E se o marido eh do tipo que engole sapo soh para nao ter que se estressar? Tipo, marido eh do tipo que batiza filho soh para nao se estressar com os pais, nao porque acredita no batismo, saca? Que arranca arvore do quintal porque o pai enche o saco pra arranca-la. Que aceita plantar macieira no lugar da arvore arrancada, indo contra a decisao da esposa de deixar a area livre pra filha brincar. Sentiram o drama? Nao, eu nao entendo, nao respeito e raramente aceito.

Porque eu sou invocadinha. ODEIO (de odiar mesmo) quando alguem impoe alguma coisa que me afete. Amigo, quer pular da ponte, vai. Na fe. Se quiser, coloco ate flor no tumulo. Nao me atrapalha. Mas nao me diga (mande!) que cor pintar a parede da minha casa, que nome colocar nos meus filhos, que planta plantar no meu jardim. Sentiu o drama? Percebeu que nessa casa rolou algum stress?

Mas como disse la em cima, a maternidade me deixou muito paciente e flexivel. E aprendi que eh meio nojento cuspir no prato que se come, que eh feio morder a mao que te alimenta (hein? existe essa expressao?), etc. Minha sogra me ajudou MUITO. Nao tenho nem como agradece-la. Eu amo a minha sogra quase como amo a minha mae. Ela eh um doce, super prestativa, sempre no gas para aguentar a neta eletrica. Nos meses que ela ficou aqui, soh lavei louca porque quis, troquei fralda da minha filha porque quis (mentira, foi porque minha sogra estava dormindo, porque nem quando eu queria, ela deixava), cozinhei quando deu na telha. Mamata total.

Agora todos se foram, me abandonaram. Nao restou uma alma para ajudar. A filha esta na creche, trabalho expediente integral (e mais um pouco) e o inverno esta chegando. Tem vezes que sinto ate falta de ar. Minha rotina eh assim: acordo entre 6 e 6.30, junto com a filha que quer leite e ver o Mickey, mas nao quer trocar a fralda nem tirar o pijama. Assim comeca a primeira guerra do dia. Muito papo, muito jogo de cintura, muito abraco, beijo, risadas, pronto. Engulo o cafe da manha, troco de roupa a jato (banho? ta maluco? tenho tempo pra isso nao), o que significa geralmente colocar uma calca jeans, uma sapatilha e uma camiseta. Pentear cabelo eh para os fracos. Sim, escovo os dentes. Sim, tento convencer a filha a escovar os dentes, mas nem sempre ganho essa luta. Checo as 3 bolsas (minha bolsa de mao, a do laptop, a bolsa com tralhas da filha), carrinho no carro, filha no carro, e as 7h estamos saindo de casa rumo a estacao de trem. 35 minutos no trem brincando, batendo papo, fazendo um sh-sh de vez em quando. Na estacao rola escada - nao rolante - e vaaaaaaarios degraus. Segura mao da filha com uma mao, carrinho na outra, bolsas nos ombros. Deixa filha na creche, nao sem um escandalo basico. Corre pro trabalho. De 8h as 16h eh tanta ralacao que nem lembro que antes de escrava, sou mae, esposa e amiga. Nao ligo, nao mando email, nao checo se estao vivos. Quando consigo sair as 16h (normalmente eh mais pra 16.30 - hoje foi 17.15), busco a filha, bato um papo rapido na creche, ultimamente espero trocarem a fralda dela, e corro pra estacao - sempre perco 2 trens, e pego o 3o, das 17.02 (precisao britanica). No caminho pra casa a pobre crianca esta exausta, entao eh normalmente mais barulhenta e tem uns ataques de "ja chegou? nao quero mais trem! cade o suco, eu quero suco, mais suco, suuuuuuuco!". Chegando em casa eh a rotina brinca-desenha-TV-come mais um pouquinho, vai?-banho-livro-dorme as 20h/20.30h. Duas vezes na semana essa rotina eh interrompida pelo meu personal trainer. E o sono nao eh direto ateh as 6h do dia seguinte; a filha acorda pelo menos um vez no meio da noite.

Posso dizer que me cansa soh de escrever sobre e pensar no meu dia? Mas como nem soh de reclamacoes vive a pessoa, a gente tem que melhorar o que nao esta bom, certo? Entao... 3 bolsas viraram uma: nunca mais trago laptop pra casa - trabalho fica no trabalho; a bolsa da filha fica na creche e roupas extras, lanches etc, vao na minha bolsa, que eh grande. O escandalo no trem e na chegada a creche eh isso mesmo, a gente distrai daqui e dali, mas acho que eh da idade. A escadaria da estacao foi substituida por um caminho mais longo, soh que com escada rolante e/ou elevador.

A parte mais importante, e que faz a maior diferenca: a ajuda do marido. Ele tem acordado mais cedo e ajuda a arrumar a pequena, desde a guerra da troca do pijama ate coloca-la no carro. E a noite, a rotina do sono eh dele (a pedidos dela, que quer que o pai leia a historia pra dormir). Parece bobagem, "nada mais do que obrigacao de pai", mas marido vem de um pais machista, de uma familia machista e mudar trinta-e-poucos-anos de mensagem machista do ser humano (principalmente quando ele eh beneficiado por ela) eh dificil. Mas nao eh impossivel, muito pelo contrario.

No mais, acho que soh preciso me acostumar a nova rotina mesmo. A vida eh assim; nao sou a primeira nem a ultima mae que trabalha fora no mundo. A fase da pirraca nao dura pra sempre. E os pros ainda superam, e muito, os contras.

Friday, September 07, 2012

Publicidade infantil NAO! Curtinha

Dando continuidade ao post sobre Consumismo e Publicidade Infantil, queria soh dividir uma coisinha rapida aqui.

Numa conferencia por telefone com um dos clientes de uma marca que a gente representa, perguntei a quem se destinava toda a campanha promocional que eles estavam planejando. Eles nos apresentaram varias ideias bacanas e talz, mas todas voltadas a um publico mais adulto, enquanto os produtos que estamos licenciando sao direcionados as criancas. A resposta: o publico-alvo da campanha sao as maes, nao as criancas.

Eh bom ouvir isso pra variar um pouco. Os pais tem o poder de compra - ou deveriam ter, pelo menos - e sabem distinguir o que eh melhor para o filho deles. E sabem o quanto podem gastar. E sao mais racionais no que diz respeito a analisar as entrelinhas dos comerciais. E outra, amigo publicitario, se voce tem o pai e a mae do SEU lado, acaba sendo mais facil vender o produto. Propaganda pro publico infantil legal mesmo eh propaganda direcionada aos pais.

Criar filho eh um trabalho do cao e uma responsabilidade fora do comum. Nos ja temos que falar muitos "naos" pros pequenos: nao mexe no fogao, nao come grama, nao come sobremesa antes do almoco, nao pula da janela, nao bate no coleguinha. Eh muito "nao" na vida dos pequenos. A gente NAO precisa de mais uma colecao de "naos" em relacao aos quatrocentos mil brinquedos que sao anunciados diariamente na TV.