Saturday, March 01, 2014

Testamento no Reino Unido

Com a doença do meu pai, passei a ter muitos pesadelos envolvendo a minha morte. Deve ser normal, né? Coisas assim impressionam a gente mesmo. Daí que o lado prático começou a gritar na minha cabeça: e se você morrer mesmo? Amanhã?

Morte é uma coisa escrota, porque mexe com o emocional de quem fica e também dá um trabalho do cacete com inventário e afins. Ninguém pensa que vai morrer amanhã (só eu?!) e consequentemente a gente esquece das burocracias que a morte pode envolver.

Felizmente parece que a Inglaterra é menos complicada. Ou não. Andei pesquisando, mas ainda tenho que ler mais a respeito, e vi que preciso fazer um testamento, junto com o marido, para facilitar a vida de quem fica, no caso de algum acidente que nos tire a vida prematuramente.

Vejam vocês a situação. Se marido e eu formos dessa vida amanhã, a corte britânica é quem irá decidir quem ficará com as nossas filhas. Ainda não sei onde elas ficariam até que eles decidam o futuro das duas. Orfanato? Casa de família estranha? A vidinha delas será facilitada imensamente se nós dois deixarmos por escrito quem vamos querer que tomem conta delas. É assim no Brasil? Claro que se eu for e marido não (e vice-versa), o outro vai ficar com a guarda, né? Então é isso... na volta pra casa, além de ter que procurar uma outra creche para Beatrice ir em junho, tenho também que providenciar um testamento.

Foi mal o post fúnebre, mas só quem já passou por essa sacanagem de inventário sabe a dor de cabeça que é. Sem contar que é um troço caro!

Friday, February 28, 2014

Não aprendi dizer adeus mas tenho que aceitar, lá-ra, la-ra, la-ra

Último dia de Brasil e essa música (do título do post) não sai da minha cabeça. Zezé di Camargo e Luciano? Não sei mesmo. O la-ra, la-ra é porque eu nem sei mais nada da letra além do que o que escrevi.

Mas traduz bem, porque eu não sei e não gosto de dizer adeus. E tudo o que eu tenho feito aqui ultimamente é dizer adeus. Nas próximas férias, a casa será outra. Esta, a que frequentei pelos últimos 30 anos, provavelmente será demolida. Estão vendo a importância das fotos e de uma boa memória? 30 anos de história vão para o chão em nome do progresso. No começo achava que não iria sentir nada, mas hoje bateu uma tristeza sem fim.

A tristeza não é só por causa da casa, não. É a vida, essa danadinha, que vive nos pregando peças, algumas bem sem graça. Como alguns de vocês já sabem, meu pai foi-se. Numa quarta-feira à tarde, bem quietinho, sem fazer estardalhaço, deitado na sua cadeira reclinável, na frente da TV que ele nem mais assistia.

Foi estranho. Senti saudades de algo que não existiu. Senti saudades da vida feliz em família que eu não tive, do pai presente e participativo que ele não foi, do orgulho da minha família que eu não tenho. Bateu um misto de remorso e azedume que não são legais (pra mim, pra minha saúde). E eu não sei como lidar com isso, porque externamente eu parece ser uma coisa, mas por dentro a hipocrisia me deixa enjoada. Tô tentando muito muito muito, mas muito mesmo, focar nas coisas positivas. Nas histórias que quero carregar comigo, mas está sendo tão difícil... Você está lá, trabalhando no pensamento positivo, inventando mil historinhas para sua filha de como o vô dela era maneiro, e aparece uma foto dele todo feliz ao lado de uma família que não é a sua, numa época que você teve que fazer muita terapia - AOS SETE ANOS DE IDADE - porque o seu pai sumiu de casa. Daí você se lembra de que estava sofrendo pra cacete, fazendo sua mãe sofrer pra cacete com suas crises, enquanto seu pai estava curtindo a vida adoidado com outra família. Que enquanto as fotos dele eram só sorrisos, você mal tinha fotos porque são sorria. Gente, alguém tem alguma dica de como controlar esse sentimento ruim? De como apagar as memórias doídas do passado e só guardar coisas boas? Porque meu pai não era um santo (longe disso), mas um monstro também não era. Eu achava que as feridas estavam curadas, mas abriu muita coisa, nessas últimos dias.

Bom, pelo menos tenho uma boa "desculpa" para ser esse ser humano descompensado que sou, essa mulher histérica, paranóica, neurótica, rabugenta, rancorosa que sou. A culpa é do mundo, não é minha.

Não, não concordo com o povo que se faz de vítima do mundo à toa. As relações com as pessoas e com a sociedade nos moldam, mas é possível escolher o caminho que queremos seguir. Muitas vezes precisamos de muita ajuda - amigos, parceiros, família, terapeuta, pai-de-santo - e não é fácil. Mas os pais precisam assumir um pouco mais a responsabilidade sobre seus filhos e parar com essa palhaçada de "se eu errei foi tentando acertar". Pronto. Falei. Depois eu me arrependo.

Desculpem usar esse espaço público como um divã.

Sim, sofri com a morte do meu pai - não sou o ser humano insensível que esse post possa parecer. Mas quero exteriorizar um sentimento que está guardado aqui dentro e que fica escondido aos olhos dos outros, porque "é feio".

Apesar de tudo, está muito difícil ir embora dessa vez. Pela primeira vez, penso com carinho sobre voltar ao Brasil de vez. Antes, a resposta era sempre não. Agora é: suspiro profundo. pontada no coração. "Ai... pois é... quem sabe na aposentadoria" e mudo de assunto para evitar as lágrimas.

Tuesday, February 18, 2014

Às vezes no silêncio da noite...

Fico remoendo meus pensamentos, querendo colocá-los no "papel" pra ver se libero espaço na minha mente.

Tô tentando fazer da minha vida virtual uma vitrine positiva, bonitinha, com as delícias das minhas meninas aprendendo sobre o Brasil, a família e curtindo sol e férias como nunca. Optei por exteriorizar o belo, mas por dentro as coisas não são bem assim.

Meu pai está super mal. Em junho ele operou o cancer do pulmão, um mês depois de ter operado o câncer na bexiga. Fez quimioterapia, depois radioterapia e o tratamento acabou em dezembro. Ficou fraco, teve pneumonia, etc. Cheguei aqui no início de fevereiro e fiquei chocada com o que vi. Um homem magérrimo, com a cabeça que era um crânio com pele e nada mais. Meu pai que sempre foi "fofinho" perdeu as bochechas e ficou de olhos fundos. O sorriso, sua marca registrada, sumiu. O vozeirão grosso, que um dia competiu nos hinos com o padre da paróquia onde fui batizada e fiz 1a comunhão, virou um sopro quase inaudível. Na 1a semana ele estava lúcido, conversava sobre tudo. Na 2a semana, ele perdeu parcialmente a consciência e parou de fazer sentido. Parece que sua alma ficou presa no corpo. Os olhos parecem entender o que falamos, mas a boca não responde ou quando responde, não sai tudo, troca as palavras. Suas mãos já não tem forças para segurar nem um simples guardanapo. Suas pernas passaram a ceder aos 55kg do seu corpo - que um dia pesou 90kg - e várias vezes ele caiu no chão. 

Meu tio, irmão de meu pai e médico que o acompanhou de perto, me disse no domingo que ele está no estágio terminal. Não tem volta e agora o que temos a fazer é proporcioná-lo uma morte confortável, em casa, onde tudo é familiar. Nunca pensei que fosse passar por uma coisa dessas: ver meu pai morrer lentamente. Ter que me contentar com isso. Ser negada de ter esperanças de que ele ficará bom e voltará a me contar causos. 

Parece que câncer de pulmão é um dos piores, mais agressivos e sorrateiros. Também um dos "mais fáceis" de prevenir, já que 85% dos casos é causado pelo fumo. 

O que estou sentindo agora? Impotência. Que meu pai vai morrer, eu já sabia, é a ordem natural das coisas. Mas não esperava que fosse assim, roubado de mim lentamente, como uma tortura. Minha madrinha me disse que ela acredita que as dores e alegrias pelas quais passaremos já estão escritas (dane-se o livre arbítrio, né?) e que o sofrimento pelo qual uma pessoa passa é quase uma punição pelos erros cometidos nessa ou em vidas passadas. Pessoalmente eu não acredito nisso. Por vários motivos, mas um deles se destaca: quem é que está sendo punido aqui? Meu pai ou sua família? A mulher dele está pagando pelos "pecados", tendo que levantá-lo do chão no meio da madrugada? Limpar seu vômito? Passar noites em claro em vigília? Dormir ao lado de um "morto vivo"? Claro que ela faz isso por amor, mas ela está sofrendo pra cacete e eu não acho justo. Também não acho justo essa coisa de cobrar dívida à prestação, fazendo a pessoa sofrer por coisas de um passado distante. Desculpe, mas me recuso a acreditar que Deus seja tão cruel e sádico com seus filhos que tanto ama. Mas enfim, cada um com suas crenças e suas dores.

No meio de todo o sofrimento do meu pai, minha mãe está prestes a começar mais um capítulo de sua história. Depois de muito anunciar, ameaçar, desejar, eis que parece que a casa onde ela mora há 31 anos será mesmo vendida. Era para ter sido, mas rolou um problema e a compradora desistiu. Depois minha mãe deixou pra lá, mas agora apareceu outro comprador. Ela achou um apartamento novinho - será a 1a moradora - e quando voltar de Londres fará sua mudança. E daí, claro, rola a sessão nostalgia. Adeus casa com piscina, entulhada de badulaques e história, perto da praia, com uma brisa agradável. Olá apartamento 1/3 do tamanho da casa, no bairro da colina, longe da praia. A missão pra mim agora é identificar todas as coisas que quero manter na minha vida e dar um jeito de trazê-las pra Londres antes que minha mãe dê fim em tudo.

E nesse processo, me sobra muito tempo para pensar na vida e repensar certas atitutes e escolhas da vida. Estas férias vão ficar marcadas em todos nós, mas a vida é isso, não é? Cicatrizes feias, tatuagens bonitas, doces lembraças, tristes pesadelos. Felizmente o tempo é um grande aliado e se ele não ajuda a apagar certas coisas, nos ajuda a amadurecer e a lidar com os percalços do caminho de uma maneira positiva.

E vamos colocar o sorriso na cara que tenho duas molequinhas ávidas a curtir a vida.


Saturday, February 08, 2014

A culpa é do calor!

E dos mosquitos. Não da pra ficar no computador quando tem um milhão de mosquitos comendo minhas pernas debaixo da mesa?

Mas alem do fato de estar um calor do cao aqui (mentira, peguei calor na Bahia, no Rio e agora em Macae, mas esta longe de ser o 'pior de todos os tempos' como andei lendo no Facebook; nosso timing foi perfeito!), não tenho muitas novidades.

Tenho sim, muitas coisas passando pela minha cabeça. Tipo: como é que eu consigo viver em Londres longe da família e de ajuda?! Repito o mantra todos os dias: você não esta só, muitas mães moram em outras cidades, estados ou países e tem mais de dois filhos e dão conta. Cansei de ver gente sendo crucificada porque tem babá, até nos finais de semana e talz. Claro, tem gente que abusa, né? Uniforme pra ir à praia? Levar a babá para todas as férias, inclusive passeios em família de final de semana? Mas olha, cada um com seu cada um.

Acho que eu não teria babá 24 horas ou que dormisse em casa, não, mas agora que eu senti o gostinho de ter uma ajuda e poder ficar sem as crianças por perto por 1 horinha, nossa, eu curti muito essa vida "de brasileiro". Antes que me taquem pedra, sei bem que muita gente no Brasil não tem condições de pagar babá ou ter empregada. Mas gente, até mesmo ter avós com saúde por perto, que possam - e queiram - cuidar dos netinhos... Fiz até vista grossa para muita coisa - principalmente ligadas à rotina de dormir e à alimentação, que tentei fazer a linha natureba, mas não rolou direito não.

Só que tenho um problema muito sério: sinto culpa e vergonha de usar a ajuda que tenho aqui. Juro que tenho pavor de acharem que estou abusando, então deixo no máximo uma horinha mesmo e já aviso pra me chamar se as crianças tiverem dando trabalho. Sempre que ouço muito choro, lá vou eu ajudar, ver o que é. E dou liberdade para brigarem com as meninas se tiverem que brigar ou eu mesma brigo. Ninguém aqui acorda no meio da noite com choro de Bea, porque eu não deixo. Minha mãe foi uma anja numa noite, depois de muitas noites mal dormidas, ficando ao pé da minha cama vigiando Bea até ela pegar no sono pesado. Ela disse que vira e mexe eu pulava da cama para ver se estava tudo bem, e que eu simplesmente não relaxava. Não relaxo mesmo e acho que por isso estou sempre tão cansada. Mas não somos todas assim? Mães-malucas, todas são. ;-)

Outra coisa que me passa pela cabeça é: será que eu voltaria a morar aqui? Penso nisso todos os dias, de verdade. Mas deixa isso para um próximo post, né?

Monday, January 20, 2014

Boca fechada não entra comida

Vou contar pra voces que eu tenho comido muito. Muito mesmo. Esse papo de calor tira o apetite, so da vontade de comer saladinha e suquinho, ó, nao funciona pra mim, nao. Hoje almocei moqueca E carne de sol. Sim, os dois. Ah, e pastel de camarao de entrada.

Todo mundo ficou cheio ate de noite e o que eu fiz? Tomei nescau com um sanduba de jantar. E to com fome.

Nao sei o que acontece, mas desconfio que eu seja um poço sem fundo. 

Nao estou me pesando, porque ninguem se pesa nas ferias, ne? Vejo o estrago daqui a duas semanas. Enquanto isso, vivemos de comida, sol e mar. E, cacildes, tinha esquecido de como o sol daqui é forte!

Sunday, January 19, 2014

Precisando trabalhar mais nas resoluções

Uma delas foi pro espaço. Mau humor me consumiu algumas vezes e já bati boca feio com todo mundo aqui (marido, mae, filhas). Preciso aprender a lidar com as pessoas JA!!!

E sim, atualizei e chequei Facebook, Instagram e Twitter durante as ferias, e ate enquanto deveria estar brincando com Laura. Menos do que de costume, mais do que gostaria. Aos poucos chegaremos lá.

E vamos que vamos que o 1o mes do ano ta quase acabando.

Friday, January 03, 2014

12 coisas que quero fazer em 2014 (aka Resoluções de Final de Ano)

Ordem totalmente aleatória

1) Perder 8kg até o final do ano - 5kg até julho

2) Passar mais tempo com minhas meninas, juntas e individualmente

3) cuidar do casamento - entre outras coisas, ter pelo menos dois dates com marido em 2014. Parece pouco, né? Mas dois dates foi provavelmente o que tive desde que Laura nasceu, há 3 anos e 8 meses

4) Não deixar o mau humor estragar um minuto sequer das minhas férias (são duas programadas até agora)

5) Voltar ao trabalho de "coração aberto". Se o trabalho estiver chato, curtir as pessoas. Se as pessoas estiverem chatas, curtir o trabalho. Se tudo tiver chato, "desligar" e ficar no meu mundinho

6) Fazer UMA coisa diferente (curso, correr 5km pra caridade, etc)

7) Blogar com mais frequencia (mas ver resolução 12)

8) Ler dois livros (não consegui terminar o único livro que comecei a ler em 2013!)

9) Comer mais verduras, legumes e frutas

10) Livrar a casa das minhas tranqueiras - arrumar o armario pelo menos duas vezes no ano, doar/vender objetos não usados, arrumar a papelada. E não ocupar o espaço vago com mais tranqueira

11) Curtir o final da licença maternidade e a estada da minha mãe em Londres

12) NUNCA usar celular para atualizar midias sociais durante encontros com marido e amigos (ou checar email). Tirar foto para postar depois, tudo bem

Tuesday, December 31, 2013

Tchau 2013!

Não sou fã de números ímpares, então 2013 nunca estaria na lista dos meus anos favoritos. 

Nasceu minha Beatriz, que virou Beatrice pra agradar o respectivo. No geral, nossa família de quatro tem bastante saúde, mas isso não é mérito de ano algum, mas vai, em 2013 estava todo mundo aqui em casa bem. Tiramos duas férias em família, o que é meio normal aqui. E meio que foi isso.

Mas bom ou ruim, adoro balanção de final de ano, para aprender com os erros e melhorar nos acertos, além de tentar coisas novas. Esse post era pra ser no blog em inglês (que a família lê), mas hoje estou mais azeda do que limão galego, então pra não preocupar quem está longe, depois faço um post tchururu com fotos dos melhores momentos de 2013, né? Aqui vai um apanhado do ano: o "The good, the bad and the ugly".

Janeiro: Início do ano, meu pai foi diagnosticado com câncer (começou na bexiga, depois descobriu um no pulmão e outro nos rins). Ao longo do ano, fez radioterapia e quimioterapia. Pra vocês verem que me "otimismo" é genético, meu pai me disse "são medidas pra me dar uns dias, talvez meses, quem sabe um ano ou dois a mais de vida".

Fevereiro: Lá fomos nós para nossa viagem anual à Romênia, no inverno. Estava bem grávida, dormindo mal, então no auge do mau humor jurei que "jamais sentirei frio novamente", bem a la Scarlet O'hara. Tradução: não piso mais na Romênia no inverno nem se minha vida depender disso. 

Março: pra compensar a friaca da viagem anterior, fomos ao Caribe - Barbados - torrar no sol. Foi a semana mais curta da minha existência, mas foi bom fazer um top up na vitamina D. Estava 30 graus e, depois do choque inicial, no 2o dia já estava certa de que o paraíso era ali.

Abril: último mês no trabalho, foi caótico como tinha que ser. Pra variar, me frustrei bastante e já saí pensando se valia a pena voltar. 

Maio: chegou minha mãe, de mala e namorado, pra nos ajudar com a Laura e a pequena, que nasceria 5 dias após a chegada da minha mãe. O parto foi vapt vupt, durou só 2 horinhas, de tarde já estavávamos em casa. Aliás, se eu tivesse aguentado um pouco mais, ela tinha nascido em casa. Nesse mês mesmo, a vida já deu sinais de que ser mãe de duas seria muito mais difícil do que eu pensava. Talvez a depressão pós-parto tivesse dado um alozinho, ou talvez fosse meu temperamento maníaco-explosivo mesmo, mas dei muito piti com as "visitas". Laura também completou 3 anos no final do mês e eu descobri que crianças de 3 anos podem ser mais difíceis do que os terrible twos.

Junho: meu aniversário; não rolou muito tesão de fazer nada mas como algumas pessoas queriam visitar a Bea, marcamos algo lá em casa. Pessoas que não se conheciam, acabou sendo uma tarde maravilhosa, com um bolo delícia vegano feito pela Graziela, e muitas risadas. Junho também foi o início do verão, mas este chegou atrasado.

Julho: minha mãe foi embora e Laura passou a ir à creche tempo integral, numa total falta de jogo de cintura minha. Assumo: não dei conta MESMO, estava ficando maluca. Mas o tempo estava melhorando gradativamente e esse ano prometia ter verão. 

Agosto: dias quentes, sempre bem-vindos. Beatrice completa 3 meses e começa aqui a série de noites mal dormidas que dura até o presente momento. O motivo? Ela começou a rolar (super bem, alias) e teve que sair do moisés, passando assim a dormir na nossa cama. Quem tem filho sabe o que é dividir cama com um bebê (no nosso caso, um bebê e uma criança)... Ela não só passou a não me deixar dormir mas também passou a dormir muito mal por conta de sleep rolling. Sim, ela rolava enquanto dormia e daí não dormia. Final do mês também fizemos nossa primeira road trip pela Romênia, que foi muito legal. Mas fica a dica: se você NAO curte frio, não vá para as montanhas romenas no final de agosto, porque já é inverno por lá. 

Setembro: comecei a dieta. Entrei numas de sair de casa e conhecer gente para não deixar o bichinho da depressão pós-parto me morder. Foi bem bom.

Outubro: trabalhei 3 dias e apesar de ter sido bem difícil, foi bem legal. Difícil pegar trem lotado, arrumar roupa que entrasse, aguentar a dor do peito super cheio e não ter onde tirar. Legal porque não fui apenas "mãe", fui um indivíduo. E legal porque marido que tomou conta da pequena e foi ótimo chegar em casa e ver a cara de acabado dele. #minhavingançasarámaligna

Novembro: e os dias vão ficando mais curtos e minha vontade de viver vai diminuindo. Dias muito frios intercalados com dias ok vão deixando as pessoas doentes, inclusive marido, óbvio. Conheci gente bem legal, pessoas do twitter tomam formas, pessoas do cursinho viram amigas, e a gente vai sobrevivendo à escuridão e às (incontáveis) noites mal dormidas.

Dezembro: meu mau humor e cansaço aqui já tomou proporções gigantescas e ameaça o bem estar da família toda. Nem tô falando da minha vontade de largar tudo e todos e mudar de nome e morar no meio de uma tribo qualquer numa ilhota do pacífico não. Tô falando de quase bater o carro algumas vezes até que finalmente aconteceu, em frente de casa, com Laura dentro do carro. Alerta vermelho. Minha mãe finalmente anunciou a venda da casa onde passei quase toda a minha infância e pré-adolescência e várias férias, carnavais e natais. A casa é da família há 30 anos e viu e ouviu muitas histórias - algumas boas, outras bem ruins. O adeus oficial será em fevereiro. Estou com anti-depressivos em mãos. Vamos ver se eu aguento não tomar até a viagem ao Brasil e ver se lá eu melhoro.  O tão sonhado e desejado jardim de inverno ficou pronto. Meu pai sobreviveu ao ano, mas encerra 2013 com pneumonia e super fraco. Ele me prometeu que vai nos esperar em fevereiro. Ah, termino o ano uns 10kg mais magra. :-D

Não, 2013 não foi um ano horrível, mas também não foi dos melhores. Espero que em 2014 a vida seja mais colorida, mais animada, mais leve. E desejo a você, anônimo ou não, um 2014 muito melhor do que esse ano que vai. Saúde e leveza para nós!

Wednesday, December 25, 2013

5 coisas que gostaria de ter feito nesta vida

Chega virada do ano e lá vou eu pensar em mil listas. Adoro listas, mas elas são bem inúteis. Quer dizer, são puro entretenimento para esta que vos escreve, mas nada além disso.

Daí que é Natal (Feliz Natal!!) e tô vendo um documentário do Michael Jackson e tocou uma das minhas músicas favoritas dele (Smooth Criminal) e pensei nas coias que gostaria de ter feito nesta vida - mas não vou. Aqui vai:

1) ser dançarina do Michael Jackson. Porque eu bem gosto das músicas dele mas gosto mais ainda das coreografias. E porque eu danço feito um mamulengo e daria um dente (um lá de trás) para dançar direitinho e conseguir seguir uma coreografia sem embananar as pernas. (Vale pra "ser backing vocals do Michael Jackson" também; não sei o que é pior, minhas habilidades de dançaria ou de cantora).

2) ganhar uma medalha olímpica. O que significa praticar um esporte (que não seja badminton ou pingue pongue, tá? Num guento). E significa ser boa nessa esporte. E eu acho genial alguém ser bom pacas em esportes e acho o supra-sumo alguém ganhar medalha (ainda mais olímpica). Mas a verdade é que eu quase quebrei o dedo uma vez tentando pegar uma bola na aula de educação física e traumatizei. Nunca tentei nada e sempre arrumava atestado médico de joelho ferrado pra não fazer as aulas. Sim, eu sentia dores no joelho, mas acho que era de ócio, e não de atividade física. Fica pra uma próxima vida.

3) entender um pouco de física, química e ter me dedicado um pouco mais às aulas de biologia. Acho fascinante, mas a verdade é que pra essas coisas, sou burra feito uma pedra. Não entra na minha cabeça nenhuma das fórmulas de física, por mais lógica que sejam. Sabe quando alguém fala com você numa língua que você nem sabe qual é? Pois é, sou eu com física. Um pouco menos com química e biologia, mas bota tudo no saco das coisas que nunca vou entender na vida. Pobre das filhas que não vão ter muita ajuda da mãe nas dúvidas da escola.

4) me aposentar aos 50 anos, cheia de saúde, largar tudo e viajar mundo afora sem lenço nem documento. A pessoa resolve ter filho "tarde" e não vai rolar de largar duas adolescentes pra trás pra viver uma vida de adolescente tardia, né? Ser adolescente aos 50 é mole, mas aos 14/17 anos, não. E por mais maluca que eu seja, não me vejo largando as duas pra trás... Pelo menos é possível adaptar esse desejo. Ah sim, também não rola uma aposentadoria decente aos 50.

5) Ser dona de uma casa tão linda, organizada e limpa quanto as das revistas. Traduzindo: ser uma pessoa organizanda, cheia de força de vontade e que, ao invés de assistir a documentários sobre Michale Jackson na TV, está colocando em prática as mil teorias de "como ter e manter uma casa organizada" que vivo lendo na internet.

E antes tarde do que nunca, deixa eu colocar aqui o "cartão" de Natal que fiz aos 45 do segundo tempo pra me sentir menos inútil. Espero que vocês tenham tido um Natal maravilhoso com a família, com presentes e comidas, mas principalmente com muito amor, abraços, risadas... 



Friday, December 13, 2013

Silêncio

Sei lá o que aconteceu que consegui me enrolar tanto que não to dando conta de nada.

Ok, sei o que aconteceu. Duas crianças saudaveis e ativas aconteceram. E uma viagem meio trabalhosa de organizar. E uma pequena obra também. E uma crise mega blaster de alergia (minha). E a mais velha doente. E a mais nova sofrendo nova crise de insonia.

O que aconteceu nessa semana ou duas de silêncio? Continuo na dieta e até agora foram 10kg eliminados. Ainda faltam 3kg pra eliminar todo o peso extra da 1a gravidez. Não vai rolar de perder antes de sair de férias em janeiro, mas você há de concordar que 10kg tá bem bom, né? Mas malhar que é bom, necas. Só pago academia.

A viagem ao Brasil está tomando formas interessantes. Um amigão nosso vai se juntar a nós por uma semana em Salvador e depois mais uma no Rio. Impressionante como uma pequena alteração nos planos se transforma num trabalhão. Mas acho que hoje resolvi a última pendência. Ou não.

E finalmente a obra do "jardim de inverno" daqui acabou. Quer dizer, faltam "detalhes", tipo a pintura, que sou eu quem vai fazer. Sim, a pessoa não tem mais o que fazer, né? Sei lá, já gastamos TANTO dinheiro nesse troço que resolvi economizar agora. E já que vamos pintar de branco, qual é a dificuldade? E é uma sala de brincar, né? O que pode dar errado? Torcida, por favor!

No mais, a vida segue. Ando tão desorganizada que nem foto da mini-pituca (ou da maxi-pituca) eu tô tirando. A menina completou 7 meses no dia 10 e nem uma foto de celular teve. Passo o dia inteiro atrás dela, porque a menina é um projeto de kamikaze. Ela se joga da cama, fica em pé sozinha e do nada larga o apoio e se estabaca no chão. Até conseguiu puxar um negócio que estava na cadeira e a cadeira caiu em cima dela (onde estava a mãe dessa menina?! Tirando outro objeto perigoso de perto dela). Aqui é assim: piscou, se acidentou. E como tive uma crise violenta de alergia, dando mil espirros por minuto, ando com os olhos sempre fechados (alguém consegue espirrar de olho aberto?). O caos, companheiros, o caos.

Mesmo diante da zona do dia a dia, consigo achar duas horas por semana pra socializar com pessoas aleatórias que não viram minhas amigas, mas me divertem (de maneira positiva ou negativa). E no meio desse bando de gente aleatória, seleciono uma ou outra que vale a pena investir (ou elas me selecionam? Ou nos selecionamos?). Nessa, meu povo, acho que tenho algumas pessoas novas que podem virar amigas. Uhuuu. E nem todas envolvem crianças. Uhuu 2. Senão vejamos: uma é uma Romena gente finíssima que conheci na creche da Laura. Casada com Romeno. Casal fofo com uma filha adoravelmente fofa, simpática, linda e super amiga da minha filha. Também da creche vem um casal Escocês-Espanhol com uma filha também apaixonante e também amiga da minha menina. E o mundo pequeno fez com que o marido - Espanhol - trabalhe na empresa do marido de uma menina que conheci há três anos mas perdi contato. Depois vem uma menina da Latvia que conheci no curso de massagem pra bebês. Sabe um grupo que voce acha que não vai dar em nada? Mas daí rola o clique com a única não-Britânica do grupo (além de mim) e você faz o que? Troca telefones, mensagens, marca um encontro e passa 5 horas batendo papo. Ah, casada com um Italiano. Mãe de uma menininha 1 mês e meio mais nova que minha Bia. Depois vem uma Escocesa (Escoceses são tão amáveis e simpáticos - todo mundo deveria ter um amigo escocês) que conheci no curso de "culinária" e continuamos nos falando depois do fim do curso. Não conheço o marido dela, mas a filha, 1 mês mais velha que Bia, é uma doçura. E tem a Turca com dois filhos - um da idade da Laura, que pode ser que vá estudar na mesma escola dela, e outro da idade da Bia. Por fim, vem a moça que dá aula de artesanato no mesmo lugar onde fiz o curso de culinária. Ela é da Croácia, lugar onde pretendemos ir no verão. Nenhum filho envolvido aqui - ela tem dois, a mais nova tem 14 anos. Ela é casada com um britânico, acho eu. O grande problema dessas amizades é que esse povo pode resolver voltar pra "casa" ou procurar outra casa. E a gente vai ficando... mas tudo bem, né? Significa que a gente passa a ter amigos em outros países. Acho que um dos grandes motivos de eu não ter me afundado nessa licença maternidade (além de ter a filha mais risonha da "minha" vida) é conhecer essas pessoas tão diversas e tão interessantes. E olha eu escrevendo o maior parágrafo do mundo...

E vamos terminar o post aqui, pra evitar mais um post escrito e nunca publicado.

Beijo no coração de vocês tudo.